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Tipo: Dissertação
Título: Sustentabilidade e servidão voluntária: uma análise do questionário do ISE/B3
Autor(es): Pifano, Yuri de Paiva
Primeiro Orientador: Neves, Lívia Almada
Membro da banca: Ferreira, Victor Cláudio Paradela
Membro da banca: Ferreira, Rui Fernando Correia
Resumo: A sustentabilidade organizacional consolidou-se, nas últimas décadas, como um dos eixos centrais do debate sobre desenvolvimento sustentável, especialmente diante da intensificação das desigualdades sociais, da crise ambiental e da crescente pressão para que empresas assumam responsabilidades éticas, sociais e ambientais. Ela busca equilibrar as interações entre os sistemas econômico, social e ambiental e, no contexto organizacional, traduz-se em políticas e práticas capazes de maximizar impactos positivos, reduzir os negativos e atender às expectativas éticas, legais, comerciais e sociais. Nesse cenário, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE/B3) ganha relevância ao funcionar como selo de reconhecimento para empresas de capital aberto comprometidas com tais práticas. Assim, propõe-se analisar a existência de vestígios de características da servidão voluntária nos questionários 2025 do ISE/B3, desenvolvendo um olhar crítico sobre esse processo ao aproximar sustentabilidade organizacional e o conceito de servidão voluntária, formulado por La Boétie. A servidão voluntária pode ocorrer quando indivíduos aceitam a dominação por meio do hábito, dos espetáculos e da hierarquia entendendo que, mesmo em ambientes considerados sustentáveis, podem existir mecanismos sutis de submissão, tutela e dependência simbólica. Assim, o trabalho adota uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo, fundamentada na análise de conteúdo. Os dados são primários, coletados por meio de observação não participante no site oficial do ISE/B3, onde estão disponíveis os 28 questionários que as empresas precisam responder para participar do índice. Desse modo, a análise consistiu em atribuir categorias a uma quantidade de textos num ato qualitativo-interpretativo, permitindo identificar padrões de naturalização da submissão. Como resultado evidencia-se que tais vestígios contrastam com os princípios da sustentabilidade organizacional, que pressupõem autonomia, participação e corresponsabilidade. Assim, revela-se uma tensão estrutural entre o propósito emancipatório do desenvolvimento sustentável e práticas avaliativas que, mesmo sem intenção explícita, podem reforçar estruturas sutis de dominação. O estudo contribui, portanto, para ampliar o debate sobre o que significa ser uma organização verdadeiramente sustentável e alerta para a necessidade de revisar instrumentos como o ISE/B3, de modo a evitar que mecanismos de servidão voluntária permaneçam invisíveis sob o discurso da sustentabilidade.
Abstract: Organizational sustainability has consolidated, over the past decades, as one of the central axes of the debate on sustainable development, particularly in light of intensifying social inequalities, the environmental crisis, and the growing pressure for companies to assume ethical, social, and environmental responsibilities. It seeks to balance the interactions among economic, social, and environmental systems and, within the organizational context, translates into policies and practices capable of maximizing positive impacts, reducing negative ones, and meeting ethical, legal, commercial, and social expectations. In this scenario, the Corporate Sustainability Index (ISE/B3) gains relevance as a seal of recognition for publicly traded companies committed to such practices. Thus, this study proposes to analyze the existence of traces of voluntary servitude in the 2025 ISE/B3 questionnaires, developing a critical perspective by bringing organizational sustainability closer to the concept of voluntary servitude formulated by La Boétie. Voluntary servitude may occur when individuals accept domination through habit, spectacles, and hierarchy, suggesting that even in environments considered sustainable, subtle mechanisms of submission, tutelage, and symbolic dependence may persist. Accordingly, the research adopts a qualitative, descriptive approach grounded in content analysis. Primary data were collected through non-participant observation on the official ISE/B3 website, where the 28 questionnaires required for companies to participate in the index are available. The analysis consisted of assigning categories to a set of texts in a qualitative-interpretative act, enabling the identification of patterns of naturalized submission. The results reveal that such traces contrast with the principles of organizational sustainability, which presuppose autonomy, participation, and co-responsibility. This highlights a structural tension between the emancipatory purpose of sustainable development and evaluative practices that, even without explicit intention, may reinforce subtle structures of domination. The study therefore contributes to broadening the debate on what it means to be a truly sustainable organization and underscores the need to revise instruments such as the ISE/B3, so as to prevent mechanisms of voluntary servitude from remaining invisible under the discourse of sustainability.
Palavras-chave: Sustentabilidade organizacional
Índice de sustentabilidade empresarial (ISE/B3)
Servidão voluntária
Desenvolvimento sustentável
Análise de conteúdo
Organizational sustainability
Corporate sustainability index (ISE/B3)
Voluntary servitude
Sustainable development
Content analysis
CNPq: CNPQ::CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::ADMINISTRACAO
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Sigla da Instituição: UFJF
Departamento: Faculdade de Administração e Ciências Contábeis
Programa: Mestrado Acadêmico em Administração
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Brazil
Licenças Creative Commons: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/br/
URI: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/20590
Data do documento: 20-Mar-2026
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